Paróquia e fiéis festejam dia de Cosme e Damião com missa e caruru

A Paróquia Santos Cosme e Damião, na Liberdade, festeja nesta quinta-feira, 27, os padroeiros. Haverá missas durante todo o dia. O ponto alto será a missa solene presidida pelo bispo auxiliar, dom Hélio Pereira dos Santos, às 18h. Mais cedo, momento de louvor e uma procissão complementam a programação festiva.

Segundo o pároco da igreja, padre Damião Pereira, “a importância de São Cosme e São Damião na tradição católica brasileira pode ser explicada pelo fato de a primeira igreja do País ter sido dedicada a esses santos”.

Padre Damião conta que todos os anos, no dia 26, são realizadas várias missas na paróquia, quase de hora em hora. Ele diz que, durante todo o dia, a igreja fica completamente lotada.

“O templo comporta aproximadamente 500 fiéis, mas há muita gente que vem aqui apenas para fazer uma oração”, assinala. Além disso, também sempre ocorre uma grande movimentação na frente da igreja, onde pessoas que mantêm tradições sincréticas fazem rituais, diz o pároco.

Caruru

Oficialmente, no calendário católico, o dia dos santos foi nesta quarta, 26, mas na Bahia há comemorações à data ao longo do mês. O que não muda, para muitas famílias, é a tradição de comemorar oferecendo caruru e outros pratos típicos da culinária local.

Na família de Gean Pereira dos Anjos, na Santa Mônica, é tradicional nesse período do ano a homenagem aos santos gêmeos. “Nós fazemos dois carurus, um no dia 26 de setembro e outro no último domingo de outubro”, explica. “O primeiro festeja o meu aniversário e o segundo é uma tradição que veio da minha avó”, diz.

Ele conta que gosta de comemorar de acordo com os costumes: “Compramos os ingredientes na feira de São Joaquim na véspera. Mas somente no dia da festa é que nós cortamos os quiabos”. Gean conta que sua mãe, Marli Soares, de 77 anos, fiscaliza o preparo do caruru. “Ela preparava, mas devido a idade, passou a apenas coordenar o trabalho”, diz.

O caruru que faz em outubro começou há 59 anos, para pagar uma promessa. “Minha avó prometeu para os santos que, se uma tia minha ficasse curada de uma doença que sofria na ocasião, ela iria fazer um caruru para a vizinhança”, explicou Lucileine Pereira, filha de Marli. “Depois que minha avó faleceu, minha mãe têm dado continuidade a isso”, diz.

Gean ressalta que muita gente aparece para comer no dia: “Ano passado vieram em torno de 700 pessoas”.

A família explica ainda que a relação deles com os santos é bastante forte. “Gean nasceu no dia deles, eu sou gêmea de Leinelúcia e nosso pai virou devoto dos santos também depois de ser curado de uma enfermidade”, conta Lucileine.

Eles mantêm, ainda, o costume de servir o caruru primeiramente para sete crianças. “Só depois as outras pessoas comem”, diz Gean. “Sabemos que é uma tradição própria de religiões de matriz africana, mas não fazemos por isso”, informa.

“A gente faz porque minha mãe decidiu manter o costume da minha avó, mas nós somos católicos”, explica Lucileine. Para o padre Damião, a tradição de comer caruru para festejar os santos Cosme e Damião não é um rito praticado pela igreja católica, mas, afirma, a instituição compreende que este seja um aspecto da cultura baiana, por isso ele não se posiciona contra quem decide manter a prática.

Cosme e Damião nasceram na cidade de Egeia, na Arábia, por volta do ano 260. Tornaram-se médicos famosos pela generosidade com os doentes. Por pregarem o cristianismo, foram presos e condenados à morte sob a acusação de feitiçaria e de espalharem uma seita proibida pelo imperador romano Diocleciano.

Após a execução, os corpos dos irmãos foram sepultados por seus antigos pacientes. Mais tarde, seus restos mortais foram transladados para uma igreja dedicada a eles, construída pelo papa Félix IV, em Roma. Até os dias de hoje são venerados como santos mártires.

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