Com descontos de até 70%, varejo antecipa Black Friday

Com novas vitrines anunciando preços até 70% off – em lojas de shoppings e portais na internet –, já teve início a temporada 2019 da maior campanha de descontos do comércio eletrônico brasileiro, a Black Friday, que este ano deve crescer 21%, em comparação com o ano anterior, e movimentar mais de R$ 3,15 bilhões, segundo o idealizador da ação no País e criador do site www.blackfriday.com.br, Ricardo Bove.

Ainda segundo ele, a data acontece próximo dia 29 “majoritariamente online”, ao mesmo tempo em que o varejo como um todo se vale do apelo durante o mês de novembro. “A campanha iniciou-se em 2010 na web, e até 2011 engatinhava. Em 2012 foi quando ocorreu uma grande adesão (no Brasil), e (a ação) seguiu até 2015 cem por cento na internet. De lá para cá, a participação das lojas físicas cresceu e, hoje, elas respondem por 40% do resultado”, fala Bove.

De acordo com levantamento realizado pelo portal www.blackfriday.com.br, telefone celular continua em primeiro lugar na intenção de compra do consumidor este ano, com 37% das pessoas buscando um aparelho novo; seguido de eletrodomésticos (36%); e TVs (29%). O Nordeste é a região que deve apresentar maior crescimento, com a participação saltando de 12% para 14% sobre o total das vendas.

O tíquete médio de compra durante a campanha deve ficar em torno de R$ 600. “O gasto médio de compra pela internet do brasileiro em dias comuns é menor do que R$ 450. Portanto, devemos continuar tendo um crescimento expressivo no volume de vendas, mesmo com a crise econômica. No País, cerca de cinco milhões de pessoas compram pela primeira vez na internet a cada ano, e a Black Friday é uma grande porta de entrada para elas”, diz.

Gerente de uma grife jeanswear no Salvador Shopping, Wesley Freitas, 24, conta ter renovado, no último domingo, toda a vitrine e interior da loja, desta vez chamando para as ofertas da Black Friday. Com camiseta, calça, vestido e acessório custando até 70% menos, ele diz que a ideia é “chamar a atenção para os preços baixos, a alta qualidade dos produtos” até o fim do mês. “A gente antecipa para atrair o consumidor, fidelizar”.

Responsável por uma loja especializada em bolsa, mochila, bagagem e mala para viagem – a maioria com 20%, 30% de desconto – no mesmo centro de compras, Thaíse Rebouças diz que espera “dobrar” as vendas este ano. “Temos peça, como uma necessaire, de R$ 29,90 por R$ 8,99 (70% menos); e na compra de três itens damos mais 10% no valor final. É bom porque todo mundo ganha, o cliente, e nós, vendedores, com a comissão”.

De acordo com o consultor econômico da Fecomércio, Guilherme Dietze, há uma expectativa de crescimento no volume das vendas do setor em todo o mês de novembro da ordem de 3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo ele, não necessariamente causado pela Black Friday, mas pela tendência de aumento do consumo motivado por haver um maior contingente de pessoas empregadas; injeção do 13º salário; e liberação de recursos do PIS/Pasep.

“Enfim, um conjunto de variáveis no qual os lojistas devem confiar e esperar por melhoras. Muito ou pouco, é um montante que vai circular na economia”.

Compra de livros

Presidente da Associação de Lojistas do Salvador Shopping, o empresário Humberto Paiva acredita que a falta da (assinatura da) convenção de trabalho (entre empregados e patrões) que impede a abertura das lojas nos feriados deve “atrapalhar” um pouco o faturamento este ano, que, segundo ele, deve crescer 5% mais que em 2018. “Poderia ser 12% (o crescimento). As pessoas seguraram muito nos últimos dois anos e este ano devem gastar um pouco mais”.

Estudantes de jornalismo, Gabriela Carvalho, 19, e Larissa Vale dizem estar com a grana curta e só querem saber de promoção para poder comprar os livros preferidos delas, que custam em média R$ 60 (preço cheio).

A reportagem topou com as duas durante uma “tomada de preço” em um shopping da capital esta semana. “Na pré-campanha achamos (o livro) por R$ 40, mas acredito que ainda dá para chegar a R$ 30”, diz Gabriela.

Larissa se cadastrou em vários sites para poder receber “alertas” com os catálogos das ofertas. “Chegam por e-mail”.

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